quarta-feira, 18 de março de 2015

Abstracto

Isto não pode ser forçado
Tal como a vida cresce do passado
Isto não pode ser perecível
Tal como o sonho mostra o incrível

Fugir daquilo é querer mentir
O conceito abstracto teima em surgir
Porque é da escuridão que surge a luz
E a cega visão do amor nos seduz

Querer viajar é saber perder-se no etéreo
Transformar o divino em algo sério
Ser várias coisas em simultâneo
Libertar a mente de qualquer crânio

Truques medievais

Canta-me ao sabor do vento
Sonho tanto querer
Esvaiu-se em tempo
O que pensava ter

Cenas de actores medievais
Em que se ajoelham aos pecados
Enganando o triste inútil
Perdido num sentimento fútil

Correu para fugir
Chorou o amar e o partir
Porque imagino só tristezas?
Se o inconsciente decora purezas?

Transe

Início de transe
Olhos colados nas teclas
Tens os olhos riscados
Consegues ouvir-me?
Quem me dera que pudesses
Tudo seguido
Sem pausas
Sempre tentei tocar-te
Ainda te lembras de mim?
Rápido
Fugaz
Sábio
Seguro
Grita, gritas como ninguém
Para mim és tudo
A música terminou
Desvanece
Fim de transe
Fecha e guarda, seguinte.

Lado bonito

Perco-me no teu olhar
Perco-me em ti
Perco-me por aí
Com o teu simples brilhar

Encontro-me no teu sorriso
Encontro-me em nós
Encontro-me assim
No escutar da tua voz

Quero-te para mim
Quero-te para sempre
Quero-te ao meu lado
Cegando o meu lado carente

Vamos ser o lado bonito do amor

Em ti

Sem que sejas a pretensão
Procura detrás do teu coração
Acharás maravilhas humildes
Tomara eu tornar-me nele
Preencher-te por completo

Levanta a alma e evita as ondas
Nesse padrão estivemos desenhados
Viajámos pelo vento
Vê-se tanto mar, tanto espaço

Debruça-te sobre os infligidos
Tremores percorrem os sentidos
Formam os mapas das sensações

Quisemos
Queremos
Gostaste
Perdemos

Jaz no chão inteira
Perdida
Olhar no céu
Prenúncio severo

Alonguei-me no caminho
Terei de voltar?
Fui um desejo teu
Fui um desejo meu

Os melhores dos piores
Serão menos maus?
Fui um desejo teu
Fui um desejo meu

Quero ser, estar e sentir
Amar, adormecer e sorrir
A teu lado
Em ti

domingo, 5 de maio de 2013

Sentido

O que julgava ter
Fugiu-me por entre os dedos
Ou será que ainda é meu?
Arrogância é ligar o pertencer
À dor de não poder ter

Sortudos serão os outros
Aqueles cujo toque tudo transforma
Vem de encontra à sede da posse
Hipnotizados pela canção da ganância

Hoje o tempo passou sem nos avisar
Há-de haver um luar sem fim
Por fora de ti
Por fora de nós
A toda a hora confundo o eu de mim

Já nada interessa
Parte para outra conversa
Foge da pena sem sentido
Aprisionada pela liberdade
Às vezes sou eu que puxo
Quando estás longe

Viagens ao centro do ser
Sonha que não estás só
A vontade criada pela coragem
Ninguém quer nada de nada
Repito
Ninguém quer nada de nada
Repete
Ninguém quer nada de nada!

Tenho vergonha disto
Custa muito perceber?
Gostava, mas não consigo
Consegues?
Elucida-me com a tua ironia
Queria que tudo fizesse sentido
Mas adoro perdê-lo...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Memórias

Estamos de volta ao teu prazer
Acutilantes diversões sem saber
Qual o mais intrépido perigo
Na amizade do nomeado verdadeiro amigo

Practicas diferentes tipos de ilusão
Sempre segura com o mundo na mão
Prevês o passado na tua bola de cristal
Vives no futuro prevendo o presente mensal

Mudas de alma como de pele
Doce falsidade como mel
Inspirada numa voz
Questionas o porquê de ter existido um nós

Recordas felicidade nos instantes
Quando chegaram a ser amantes
Uma das maravilhas das histórias
É poderem apagar memórias