quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Für Elise

Enquanto danças
A melodia viaja no ar
A tua saia rodada brilha
E os pés descalços baralham o chão

Tento desenhar a rosa do teu cabelo
Troco o vermelho pelo preto dos teus olhos
Nada faz jus à tua beleza

Sorris para o teu reflexo no espelho
Um braço acima do rosto
E outra mão perto do ventre
Contornam a mais bela silhueta

Pareces ser tão real
Gostava de ter o dom da vida
Para te libertar
Rendo-me ao lápis e papel

Todos os dias estarei aqui
Na esperança de um dia te ver nascer
Pois preciso de ti
Bailarina da caixa de música

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Paraíso dos infernos

A vida anda perdida sem saber que rumo tomar
Procura distantes miragens de felicidade
Flutua na corrente do tempo
Mas e depois?
A consequência vem sempre depois

Refugiada no paraíso dos infernos
Claudica com cada tentativa falhada
Imerge astuta e descarada em cada nascimento
Para depois ser confundida com sofrimento
Não passa de uma pobre mimada

Respira, volta ao início
Não a venças no seu raro vício

Quer aprovar o sentido instituído nos demais
Cega de vontade esquece sentimentos reais
É tudo o que vê e lê
Mas agora desisto...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Vicio são


Vestidos de perversidade e despidos de pudor
A fome não pára, só queremos comer
Dizia o outro que isto é biologia
Controlai-me senhor este instinto carnal!

Somos animais racionais de difícil trato
Escuta bem, nada se faz num dia
O sexo pode durar horas ou anos
Tudo para nunca quebrar tamanha hegemonia
Viemos dar mais que um beijo
Língua, boca, dedos, mãos, vale tudo neste jogo
Não nos dá tempo para pensar sem agir
O calor dos corpos começa a surgir

Foi Eva quem pegou esta febre a Adão
Com suas curvas delineadas pela maçã da contradição
Mas mal de Adão prendeu seu coração
Entre os dois reinou a enorme te(n)são

Ninguém gosta de estar só
Pornografia é vicio são

sábado, 12 de janeiro de 2013

Batalha dos eruditos

Penduradas nas paredes estavam vidas passadas
Cada uma rasgada de proveitos e desventuras
Em todo o caso vai pensando em apagá-las
Só podem voltar à atmosfera do imaginário

Ouço os risos deles

Nada vai mudar no toque seco e ardente
Sem lutar por um outro eu ascendente
E aqui entram as sombras da luz
Estão vivas no paraíso desprovido paz

Sinto os passos deles

Das mil cores saídas do prisma triangular
Sete representam as maravilhas do mundo moderno
Os elos de ligação conquistados pelos sábios
São corroídos pelo mais pobre ser errante

Vejo os vultos deles

Quando o sino dos surdos tocar e quebrar o silêncio
Guardem os espíritos nos corpos cobertos de personalidade
A virar o amor para dentro fustigamos os seus demais
Assim ganharemos a batalha dos eruditos

Eles chegaram...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Por favor

Sonhava estar contigo
Partilhar vivências e experiências
Lembras-te como costumava ser?
Era fácil viver
Posso pedir por favor?

Tudo tinha sentido
Mas e agora?
Onde estás?
Procuro-te no escuro mas não brilhas
Encontro-te na luz mas não queres
Posso pedir por favor?

Andas em círculos
Voltas ao lugar comum
Quando eu e tu éramos um
Esta dor que sufoca
Esse olhar que me toca
Posso pedir por favor?

Notas que deixo no ar
No teu sonho espero falar
Por isso vou pedir por favor
Ou me deixas ou me beijas...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Olho cego

O pó dança no ar
As árvores mascaram-se de branco
Quem quererão enganar?
Algumas deslizam pelo barranco

Falas como se não ouvisse
Quero ser teu, quero ser teu
Tocas como se não sentisse
Quero ser eu, quero ser eu

Cheira a alegria
Como se o passado tivesse voltado
É um erro pensar em demasia
Se com isso ficares amarrado

Falas como se não ouvisse
Quero ser teu, quero ser teu
Tocas como se não sentisse
Quero ser eu, quero ser eu

O pó fugiu
As árvores estão pretas
Revelaram-se as demais
Ninguém julga o que não vê
O olho é cego se não crê